A modernização do comércio exterior brasileiro tem avançado de forma consistente nos últimos anos, impulsionada pela digitalização de processos, integração entre órgãos governamentais e adoção de tecnologias voltadas à gestão inteligente de riscos. Nesse contexto, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) participou do Global Trade Summit SC, um dos principais eventos nacionais dedicados ao comércio exterior, logística e supply chain, realizado entre os dias 13 e 15 de maio, em Santa Catarina.
O encontro reuniu representantes do setor público e privado, especialistas em comércio internacional, operadores logísticos, empresários, pesquisadores e profissionais que atuam diretamente nas cadeias de importação e exportação. Ao longo da programação, foram debatidos temas relacionados à transformação digital do comércio exterior, eficiência logística, integração entre órgãos anuentes, inovação regulatória e perspectivas para tornar os processos de importação mais rápidos, seguros e transparentes.
Representando o Inmetro, a chefe da Divisão de Controle Pré-Mercado, Gabriela Jordão, participou de um painel dedicado ao Novo Processo de Importação (NPI), iniciativa que integra os esforços da Receita Federal, da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e dos diversos órgãos anuentes responsáveis pelas análises regulatórias das mercadorias que ingressam no país.
Durante sua participação, foram apresentados os avanços obtidos com a integração das atividades do Inmetro ao Portal Único de Comércio Exterior (Pucomex), plataforma criada para centralizar procedimentos de importação e exportação, reduzindo burocracias e promovendo maior eficiência operacional.
Modernização dos processos beneficia empresas e fortalece a fiscalização
A integração entre os sistemas do Inmetro e o Novo Processo de Importação representa uma mudança importante na forma como são realizadas as análises relacionadas aos produtos sujeitos à regulamentação técnica. Em vez de depender exclusivamente de procedimentos tradicionais, o novo modelo utiliza informações estruturadas para aprimorar a avaliação de riscos, permitindo que os recursos de fiscalização sejam direcionados de forma mais estratégica.
Na prática, isso significa que mercadorias com maior probabilidade de apresentar irregularidades podem ser identificadas com mais precisão, enquanto operações realizadas por empresas que mantêm histórico de conformidade tendem a seguir um fluxo mais eficiente, reduzindo atrasos desnecessários.
Essa abordagem baseada em inteligência de risco é uma tendência observada em diversos sistemas modernos de comércio exterior ao redor do mundo. O objetivo é equilibrar dois fatores igualmente importantes: facilitar o fluxo comercial para empresas que cumprem a legislação e, ao mesmo tempo, fortalecer os mecanismos de controle para impedir a entrada de produtos que possam oferecer riscos aos consumidores, ao meio ambiente ou à concorrência leal.
Reflexos para fabricantes, importadores e certificadoras
Embora muitas vezes essas mudanças ocorram nos bastidores dos processos administrativos, seus impactos são percebidos diretamente pelas empresas que atuam com importação de produtos regulamentados.
Fabricantes, importadores, distribuidores, organismos de certificação e laboratórios de ensaio passam a operar em um ambiente mais integrado, com maior previsibilidade documental e melhor comunicação entre os diferentes órgãos envolvidos na liberação das mercadorias.
Para segmentos como o de eletrodomésticos, produtos eletrônicos, equipamentos elétricos, dispositivos médicos e diversos outros produtos sujeitos à avaliação da conformidade, iniciativas dessa natureza contribuem para tornar o processo regulatório mais organizado, sem reduzir o rigor técnico exigido pela legislação brasileira.
Além disso, procedimentos mais eficientes ajudam a reduzir custos logísticos decorrentes de armazenagem prolongada, retrabalho documental e atrasos nas liberações alfandegárias, fatores que impactam diretamente a competitividade das empresas.
Inteligência de risco e uso estratégico das informações
Outro ponto destacado durante o evento foi a crescente utilização de ferramentas baseadas em análise de dados para apoiar as atividades de fiscalização.
Com informações cada vez mais estruturadas, torna-se possível identificar padrões, cruzar dados e direcionar inspeções para operações que efetivamente apresentam maior potencial de não conformidade. Essa estratégia permite que os recursos públicos sejam utilizados de forma mais eficiente, aumentando a capacidade de fiscalização sem comprometer a agilidade do comércio exterior.
Ao mesmo tempo, empresas que investem continuamente em conformidade regulatória, certificação de produtos e qualidade tendem a ser beneficiadas por processos mais previsíveis, reforçando a importância da cultura de conformidade dentro das organizações.
Migração para o modelo LPCO
Durante o painel, Gabriela Jordão também comentou os avanços relacionados à migração do tratamento da antiga Licença de Importação (LI) para o modelo de Licenças, Permissões, Certificados e Outros Documentos (LPCO).
Segundo ela, o Inmetro vem promovendo adaptações contínuas para garantir uma transição eficiente, trabalhando em conjunto com a equipe responsável pelo Portal Único de Comércio Exterior.
"O Inmetro vem trabalhando continuamente para implementar as mudanças necessárias na migração do tratamento de Licença de Importação (LI) para Licenças, Permissões, Certificados e Outros Documentos (LPCO). Já avançamos em diversas melhorias e seguimos atuando em parceria com a equipe do Portal Único de Comércio Exterior para identificar dificuldades dos importadores e buscar soluções que tornem o processo mais eficiente, sem abrir mão da segurança e da conformidade dos produtos", destacou Gabriela Jordão.
A declaração reforça o compromisso do Instituto em modernizar seus processos regulatórios, preservando elevados padrões técnicos e mantendo a proteção ao consumidor como prioridade.
Compromisso com a Infraestrutura da Qualidade
A participação do Inmetro no Global Trade Summit SC reforça seu papel dentro da Infraestrutura da Qualidade brasileira, contribuindo para a evolução dos processos regulatórios e para a construção de um ambiente de negócios mais eficiente.
Ao investir na integração entre sistemas, digitalização de procedimentos e utilização de inteligência de risco, o Instituto busca equilibrar desburocratização e fiscalização, fortalecendo a segurança dos produtos disponíveis no mercado nacional e oferecendo maior previsibilidade às empresas que atuam em conformidade com os regulamentos técnicos.
A modernização do comércio exterior é um processo contínuo e depende da atuação coordenada entre governo, setor produtivo e organismos envolvidos na avaliação da conformidade. Nesse cenário, iniciativas como as apresentadas durante o Global Trade Summit SC demonstram como tecnologia, cooperação institucional e inovação regulatória podem contribuir para um ambiente comercial mais seguro, competitivo e eficiente.
Fonte
INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia.Inmetro participa do Global Trade Summit SC e destaca avanços no Novo Processo de Importação. Publicado em 19 de maio de 2026, Portal de Notícias do Inmetro. Disponível em: https://www.gov.br/inmetro/pt-br/centrais-de-conteudo/noticias/inmetro-participa-do-global-trade-summit-sc-e-destaca-avancos-no-novo-processo-de-importacao. Acesso em: 18 jun. 2026.
Portal de Notícias do Inmetro:https://www.gov.br/inmetro/pt-br/centrais-de-conteudo/noticias
